segunda-feira, 28 de abril de 2008
noname
havia música, para ouvido de alguns. de todos ali. alguns dividiam garrafas de cerveja em copos de plástico, e conversavam em pé. alguns-os mais privilegiados- sentados em rodas, em cadeiras verdes, sorriam um riso quase gargalhada, bebiam do copo de moças que lhe davam a alma, e mesmo nao sendo digno, qualquer teria vontade de se perder em qualquer uma daquelas cadeiras que de tarde tao ignoradas, compensavam com o prestígio ganhado ao cair da noite. eram pessoas, mesmo parecendo imortais. eram simples, mesmo com aquela vontade de nao deixar de olhar. nao pediam nada, eram cobertos de um brilho quase fosco.eu nao estava lá. entre blusas coloridas, cheiro de álcool, e fumaça quase gloriosa, não havia uma menina, de preto, disfarçando qualquer deslumbre. entre tanta alegria, entre tanta música e certeza, não havia mais ninguém.e através do vidro quebrado, ela apareceu. não havia vestígio algum de remorso, nenhuma insegurança escapava de dois olhos pintados,da olheira coberta por cremes e bases. alta, corpo de mulherão, rosto de tal, toda de preto: nao que parecesse que ela se importava. a roupa, escolhida com pressa. as falhas escondidas pelo caminho, com espelho de bolso, com a certeza de homens assobiando e se perdendo leve e suavemente.parecia ter saído de uma mtv americana, e nao estava nem aí. respondia a todos, sorria seu sorriso sensual,para qualquer um. sem pistas de vulgaridade: fazia o que bem entendesse, mas encantava quem quer que fosse.enquanto ela gritava, e ria alto, enquanto chamava a atencao de homens e mulheres, eu , que nao estava ali, observava sutilmente.e assim, num piscar de olhos, finalmente eu participava de algum lugar. ela me olhou.nao só me olhou, como me notou. nao so me notou, como sorriu: tao seguro e tao cheio de desejo, aquele sorrir. desejo que esbanjava até: como se dela viesse para mim. procurei rápido por alguém: uma estrela, um homem sem camisa, um menino fumando por prazer. e quatro olhos se encontraram de novo. sussurrei: rock'n'roll.ela gritou: hell yeah, girl. abaixei os olhos. ela acendeu um cigarro. contei até dez, até ela sumir por completo.
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