sexta-feira, 27 de junho de 2008

espelho da vida

“Ok. Você é a coisa mais gostosa do mundo. E eu estou morrendo de saudades de você. Dorme comigo hoje?”

Quando fico comigo mesma, me dou ao prazer de me saborear, as coisas ficam em paz. Mas me dá um medo, aquele medo antigo de nerd de sair por aí e viver as pessoas, um medo de decepção, um medo de achar que ta tudo indo rápido demais e as pessoas não sabem prezar as pessoas. Há uma grande confusão, confusão de amor, de amar. È realmente preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã, mas a gente brinca de usar gente, a gente brinca de saciar os desejos com gente, a gente brinca de ser estúpido, pequeno e totalmente humano. A gente é divino, porra! E fazemos de tudo pra que o ser humano seja uma coisinha estúpida e insignificante, pra que um beijo se torne uma brincadeirinha, coisa pouca. Eu tenho um corpo, e uma mente, e coisas pra sentir; e tem gente que faz pouco caso disso tudo, mas não. È tão bonito, sabe, amor livre. Amor livre não é putaria e putaria não assim tão ruim, mas as pessoas não sabem curtir as pessoas. A gente não sabe se curtir. A gente tem mão, braço, barriga, pescoço, orelha, perna, bochecha; e fica tudo reduzido a uns copos de cerveja e uma saciação do desejo natural. Eu quero gente mais gente, gente mais Deus, eu quero gente que consiga me fazer carinho e me cuidar de um jeito mais conectado, especial, gente que saiba que o conhecer de cada pedacinho de uma outra pessoa é uma aventura bonita e deliciosa. Eu quero pontas dos dedos, eu quero queixo, eu quero calmo, eu quero um improviso bonito e uma real apreciação da beleza que um ser humano tem.
Tesão. Acho que eu sou maluca porque o meu tesão não vem daonde vem o tesão do mundo! Tesão não é carnal, desejo carnal não é carnal, nada mais excitante que uma conversa de início de entrosamento entre duas pessoas que se interessam, que uma descoberta, como , sei lá, “ah! Vc gosta de tomate!” . A conexão é excitante, o mistério é excitante, e o corpo só se torna excitante se houver outra coisa também. Aí a gente bebe, a gente bebe pra tudo te dar tesão o mais rápido possível. Ser humano decadente carente estúpido! Teria tanta coisa bonita pra viver, uma troca de fluxos loucos de sentimentotesãoamorinteresse que dá uma áurea mágica pra vida; mas a gente ta muito cansado de ser gente, deve dar muito trabalho mesmo.
Eu não sei quantas pessoas eu conheço, eu não sei como é que faz pra estar em contato com uma pessoa; mas sei que a gente deveria apreciar-nos mais. Sem aquela baboseira toda, terminar namoro, pegar na night, a gente faz um seleção imbecil de nomes e rituais. Amor é livre; e é para com todos a sua volta, sexo é livre e vem do amor que deveríamos sentir inerente para com todos. Calmaê, sexo não é para com todos, sexo é uma conexão maior, é um confirmação do amor especial, putaquepariu , eu sei que eu ando muito brega, mas eu sou assim.Eu quero gente de verdade e eu quero real contato, preocupação, amor;
Não esse desespero carente mongolóide que a gente vê por aí. As coisas tinham que se encaixar, suaves, e não serem destruídas.

Obs: ok. Não é um texto bonito, mas é uma reflexão insana de minha mente assustada com a falta de amor. Mas ah, tem muita gente bonita por aí, sim. =)
Obs2: eu odeio quando quandoto num clima lamentação nostalgia, mas fazer o que, eu sou boboca assim mesmo.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

tu vas pas mourir de rire

Doce. Tudo é doce. Quando se cai, e se ri, e tudo em volta lhe parece nada. Nada é doce (afirmação). Ver o pôr-do-sol também é doce, chocolate, perder você. Sete horas da manhan e a vida aí, tua vida ali, e todos numa vida aqui.E sempre existir um você, e quando acaba a ternura, e os ciclos indo, sabe? Vida curta de borboleta e longa da tartaruga, a minha é média e é doce!O prédio descascado e aquele cheio de espelhos, nêgo. Então vá!
O silêncio depois da última dança- a última dança!- que confunde; é amor? Antes silêncio (,) fora amor.Silêncio agora é o nada, e todos nós sabemos o que o nada é.
Doçura encanta. Ranzinzas e cabrochas, escritores e a farra, mas o que vem agora?Um do lado do outro e elogios acostumados, o doce desacostumado, simplesmente nao é.
Quando eu imaginava, imaginava outra coisa, achava que quando viesse ia vir de fato e o tempo ia parar. Queixo-me às rosas, quero chegar a esse ponto:que bobagem! Ele não pára,e aí achei que então acabara-se o doce. Alguns céus, sóis, luas , tudo isso se passou e lembrei que agora então, posso imaginar de fato e pensar que de repente um dia o tempo pára. Foda-se ( sim, doce!). O imaginar é doce, e a repetição é intencional, talvez forçosa e, claro...
às vezes me deste a mão e foi a mão mais mão do mundo. As unhas mais unhas e o pulso mais pulso, e ali, parou. Outro dia me deram a mão também, e fiquei calada. A mão era doce.
Acordo e vejo o dia vindo doce...algodão doce.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

à la folie...pas du tout.

dois. primeiro, segunda.para quem seguia o mesmo rumo.de outra, se via primeira e segundo. ele, mais alto, ela, de saia; e os dois sorrindo.pausadamente escrevo, sem porque; mas era isso mesmo.um dia nublado, maos dadas, conversas sobre acontecimentos de tantas vinte e quatro horas... talvez realidade para ela, agora.parados em um sinal, e me avistaram.olhos ligados, por míseros segundos, nem diria tanto.acho que todos pensávamos devagar.contato perdido, ilustre 607 entre nossas vidas, e nossas perdições. senti medo, mesmo, do que minha dor poderia me obrigar a fazer. senti medo do que poderia me trazer ao pentear meu cabelo, lavar o rosto, e voltar àquilo tudo. e vê-lo, me fez lembrar. sumiu o ônibus, na curva, e apesar de todo meu pedido para que os dois desaparecessem, eles continuavam lá, sorrindo; e aquelas maos dadas.pensei em entrar em um taxi, puro medo de quando o vermelho virasse verde...ou o verde virasse vermelho, como sempre dizemos:depende do ponto de vista. em poucos minutos,um, dois, talvez, senti todo o sofrimento que sentira durante minha existência, até aquele sinal fechado.me lembrei de suas manias, de quando saíamos. me lembrei de como perdia a esperança com o passar dos meses. me lembrei dela, que nao sabia de sua existência. me lembrei de como me perguntava:será possível?e recitava em pensamento, sempre à noite, e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim.olhei pelo cantinho de meu olhar, ela beijava seu rosto.nao imaginava mesmo um beijo em qualquer outro lugar, em tal situação. talvez se visse que lhe beijava a boca, chorasse mais rápido.lembrei de seus erros de caligrafia.senti o sol em meus ombros, vi que as nuvens nao ocupavam o céu inteiro: havia uma falha, como em tudo. ela olhou para cima, quase que em um gesto de imitação. lembrei de meus arrepios, quando ele me tocava o rosto, com carinho, e um pouco de pena. ele estava como antes: lindo, sereno, calmo, eternamente feliz. como antes, inexplicavelmente assim. parecia distante como sempre pareceu, como se fosse alguém assistindo ao mundo da platéia.soltaram as maos,e se abraçaram. vi nitidamente as vezes que fui em sua casa, para comer, nao fazer nada, mesmo sempre tendo um propósito.ele sempre me recebia, dois beijos no rosto verdadeiros.tudo era verdadeiro. as maos se juntaram mais uma vez, alguém lhe perguntou a hora; ela tirou o celular do bolso, e respondeu, sorridente, aparentemente com educação. o mesmo bolso, o mesmo celular, o mesmo jeito perfeito e puro de ser. não me espantava que ele a amasse. lembrei de todo o ciúme, toda a lamentação, todo meu pseudo-fingimento para(com) ele.riram forte, porém não alto, de algo. eu ria, também.talvez, naquele dia, desejaria ser ela mais uma vez. uma criança, pulando, me roubou a atenção; e estranhamente me permiti uma lágrima.digo uma agora, mas não sei quantas realmente existiram.lembrei do que nem havia existido. amarelo, ou laranja. aberto, para todos nós, para o sofrimento maior.
-olá. eu te deixaria mais feliz.

noname

havia música, para ouvido de alguns. de todos ali. alguns dividiam garrafas de cerveja em copos de plástico, e conversavam em pé. alguns-os mais privilegiados- sentados em rodas, em cadeiras verdes, sorriam um riso quase gargalhada, bebiam do copo de moças que lhe davam a alma, e mesmo nao sendo digno, qualquer teria vontade de se perder em qualquer uma daquelas cadeiras que de tarde tao ignoradas, compensavam com o prestígio ganhado ao cair da noite. eram pessoas, mesmo parecendo imortais. eram simples, mesmo com aquela vontade de nao deixar de olhar. nao pediam nada, eram cobertos de um brilho quase fosco.eu nao estava lá. entre blusas coloridas, cheiro de álcool, e fumaça quase gloriosa, não havia uma menina, de preto, disfarçando qualquer deslumbre. entre tanta alegria, entre tanta música e certeza, não havia mais ninguém.e através do vidro quebrado, ela apareceu. não havia vestígio algum de remorso, nenhuma insegurança escapava de dois olhos pintados,da olheira coberta por cremes e bases. alta, corpo de mulherão, rosto de tal, toda de preto: nao que parecesse que ela se importava. a roupa, escolhida com pressa. as falhas escondidas pelo caminho, com espelho de bolso, com a certeza de homens assobiando e se perdendo leve e suavemente.parecia ter saído de uma mtv americana, e nao estava nem aí. respondia a todos, sorria seu sorriso sensual,para qualquer um. sem pistas de vulgaridade: fazia o que bem entendesse, mas encantava quem quer que fosse.enquanto ela gritava, e ria alto, enquanto chamava a atencao de homens e mulheres, eu , que nao estava ali, observava sutilmente.e assim, num piscar de olhos, finalmente eu participava de algum lugar. ela me olhou.nao só me olhou, como me notou. nao so me notou, como sorriu: tao seguro e tao cheio de desejo, aquele sorrir. desejo que esbanjava até: como se dela viesse para mim. procurei rápido por alguém: uma estrela, um homem sem camisa, um menino fumando por prazer. e quatro olhos se encontraram de novo. sussurrei: rock'n'roll.ela gritou: hell yeah, girl. abaixei os olhos. ela acendeu um cigarro. contei até dez, até ela sumir por completo.

cheers darlin'

tim tim; e se fez o brinde. nao posso deixar de brindar tua bendita felicidade- essa que finges que tens e que não podes ter. na mesa , os dois serenos, ou dois que sabem muito bem o que guardam no peito!os dois que gritam e batem e sentem o ódio o desespero e o arrependimento e não mostram.ou não sentem.os dois que se sentam um em frente ao outro e trocam algumas palavras. o jantar termina logo. faz um esforço e escuta o piano, escuta o violino, escuta as cordas desafinadas.tocam para nós, um caos tranquilo, uma calma inconformada. o vinho que nao sabe beber e que está derramado, ah sim, o meu drama.a toalha manchada.os farelos de pão . nas mesas ao lado, os casais se convidam para passar a noite, os casais berram, os casais se comprometem, os casais são solit(d)ários. entre nos dois, nao há quase nada. só uma imensidão de nada.uma quase imensidão: sei lá. nao sorria.bebe do copo depois do brinde, faz um desejo, que eu faço o meu.olha nos meus olhos. me deixe cega, me deixe surda e sem poder andar.grita comigo.chora comigo. perdoa. nao me deixe embriagada com um brinde só.

desagradou-se


parou aos trinta anos do trabalho incansável, das manhãs tiradas a café, dos cigarros depois do almoço, do marido da barba mal feita. parou por alguns minutos.
começou pelo início, nada mais óbvio! as coisas se encaixavam. ela não via o erro, ninguém via o erro: o que os olhos não vêem...era bom. era que nem todo bom começo.
quando se deu conta de que a perfeição não poderia de fato existir, se deu conta do erro, e quis de qualquer maneira tirá-lo do mundo. arranhava, e gritava, e pedia, e roubava, e vestia, e riscava. era um quebra cabeça de atitudes estúpidas, porém dignas, e, por um dos lados, belíssimas. e toda dor que poderia resultar dessa raiva mal encarnada ficou presa num cantinho escuro.
então, sem dor, e sem raiva, ela descansou por um tempo. saiu do mundo, estalou os dedos, conheceu o que teve vontde de conhecer. gastou sua lista de desculpas esfarrapadas. sorriu à todo infortúnio: se amou.
e depois de se amar quis saber como era amar os outros e saiu no mundo. dessa vez fechou seus olhos a seu proprio erro; e era só amores, só loucuras, só gente nova !
e começou a ficar curiosa e um dia vasculhou tudo da vida, até achar uma caixinha preta, num cantinho meio apagado, uma coisinha miúuda e sem graça.
aí veio o que deveria ter vindo.
e ela quis misturar tudo de certo e errado, quis saber o fim , o pé, o meio, a cabeça, o começo. cansava em poucos segundos, perdia toda e qualquer confiança no mundo, e permaneceu estagnada.

voltou de seus minutos e soube que nunca houvera trilho algum.
é...desagradável.

mesa de café


Sabe o que eu me lembro?eu me lembro que desde o primeiro beijo ele me pegava forte a cintura. Não por ser homem demais, nem por luxuria: era pra segurar o tempo, pra não me deixar ir. Achei injustiça o que eu fiz, de tentar a sorte depois dele esperar por tanto tempo um casamento com véu e grinalda. Mas tinha solução? Me deixei levar pelas mãos confusas que quando se esqueciam de minha cintura voltavam a buscá-la na multidão.
E ele tinha muita ternura. Tanta ternura que não sobrou pro toque... consigo até rir se me lembrar da mão calejada caminhando incontinuamente por meu corpo; às vezes ele tremia e eu tinha vontade de rir. Mas que coisa, eu sempre tenho vontade de rir. E o beijo chegava a ser desgraça; nada dava certo e no meio do carnaval eu queria sempre mais. Sempre mais do jeito desajeitado, sempre mais do olhar surpreso na estrada vazia e escura com vista pra lagoa, vem vindo carro? Quando nao vinha eu o empurrava pra grama molhada e ele fechava os olhos e deixava transparecer o nervoso e aquela felicidade de criança. Eu tinha vontade de falar pra ele que sabia que era amor e que achava a coisa mais linda, que queria sentir igual e fazer dele a pessoa mais feliz do mundo. Chegava a doer. Doía porque eu não tinha luz pros dois, nem só pra mim, doía porque eu era incapaz de tamanha felicidade. Tinha que balançar, correr, gritar; ele não entendia que eu tinha dado toda minha vida e não era suficiente.
Na hora da foto ele vinha e descansava as duas mãos em mim. Se eu virasse e o beijasse e falasse o quanto ele faria qualquer mulher feliz, no meu mundo, o quanto a malandragem dele escondia o coração mais bonito que eu já sentira, o quanto as ações tinham ternura, cacete! Ele não iria entender, ninguém falava; eu achava tudo lindo e sabia que não dava, não sabia pertencer a ele.
A gente foi seguindo. Sem falar muita coisa e as vezes eu explodia e ele fazia cara de quem nao sabia; querendo explodir também. Quase febril de tanto amor por mim, suava frio, e eu ficava mais infeliz de estar sempre colaborando pra infelicidade da pessoa que mais amava no mundo. Um dia virei pra ele e disse (ou imaginei dizer?): decidi me dedicar a voce, como nunca me dediquei a ninguem. Pensei em falar que era a primeira vez que tinha necessidade da voz de alguem, de visitar alguem, de saber da vida sempre, dividir sorvete, ver filme calado, lembrar sozinha e chorar de tanto amor dentro de mim . Nao cabia mais e quando a gente ama é claro que a gente cuida além de querer sempre o bem estar.
A gente não dava certo e era óbvio. Era bonito demais o que tinha entre os dois e todo mundo via que era forte. Eu chorando no bar, você se declarando na praça... " quero ele se sentindo no topo do mundo mas nao sei como isso se faz! quero que seja verdadeiro mas só sei enganar."
De fato foi o máximo de emoções que já senti e sinto. Porque o clichê era tanto e a história era outra. Hoje vou falar de você pra todo mundo e passar aí na sua casa pra comer batata frita enquanto você rouba uma skol da despensa, e eu rio bem alto, abro a geladeira e comento todas as comidas. Você vai fechar e me dar um copo d'água e a gente continua sem dizer nada e se amando muito?
Ou três da manhã a gente decide viajar e eu deixo um recado no espelho. Quantos recados com seu nome foram deixados no espelho?
Te amo, te amo.
Era bom demais saber que alguem me conhecia mais do que qualquer um.
Não sei mais terminar, me dói. me dói lá dentro aonde ficam as lembranças bonitas que viram melancolia, as lembranças que por enquanto nunca mais serão renovadas; e me dói. Me dói porque era muito amor por tudo. Era beleza que arranhava as costas e rasgava a pele, um punhal às cinco da tarde na avenida central.
Eu queria dizer que era tudo muito lindo e não disse. Queria você mais perto de mim, tirar seus vícios, te deixar no céu.

E pensar que as coisas já viravam declínio naquele fim de tarde na rede, eu pensando na ternura que eu nao merecia e que nao merecia sofrer; você me olhando firme e pensando em dizer o que não falou.