dois. primeiro, segunda.para quem seguia o mesmo rumo.de outra, se via primeira e segundo. ele, mais alto, ela, de saia; e os dois sorrindo.pausadamente escrevo, sem porque; mas era isso mesmo.um dia nublado, maos dadas, conversas sobre acontecimentos de tantas vinte e quatro horas... talvez realidade para ela, agora.parados em um sinal, e me avistaram.olhos ligados, por míseros segundos, nem diria tanto.acho que todos pensávamos devagar.contato perdido, ilustre 607 entre nossas vidas, e nossas perdições. senti medo, mesmo, do que minha dor poderia me obrigar a fazer. senti medo do que poderia me trazer ao pentear meu cabelo, lavar o rosto, e voltar àquilo tudo. e vê-lo, me fez lembrar. sumiu o ônibus, na curva, e apesar de todo meu pedido para que os dois desaparecessem, eles continuavam lá, sorrindo; e aquelas maos dadas.pensei em entrar em um taxi, puro medo de quando o vermelho virasse verde...ou o verde virasse vermelho, como sempre dizemos:depende do ponto de vista. em poucos minutos,um, dois, talvez, senti todo o sofrimento que sentira durante minha existência, até aquele sinal fechado.me lembrei de suas manias, de quando saíamos. me lembrei de como perdia a esperança com o passar dos meses. me lembrei dela, que nao sabia de sua existência. me lembrei de como me perguntava:será possível?e recitava em pensamento, sempre à noite, e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim.olhei pelo cantinho de meu olhar, ela beijava seu rosto.nao imaginava mesmo um beijo em qualquer outro lugar, em tal situação. talvez se visse que lhe beijava a boca, chorasse mais rápido.lembrei de seus erros de caligrafia.senti o sol em meus ombros, vi que as nuvens nao ocupavam o céu inteiro: havia uma falha, como em tudo. ela olhou para cima, quase que em um gesto de imitação. lembrei de meus arrepios, quando ele me tocava o rosto, com carinho, e um pouco de pena. ele estava como antes: lindo, sereno, calmo, eternamente feliz. como antes, inexplicavelmente assim. parecia distante como sempre pareceu, como se fosse alguém assistindo ao mundo da platéia.soltaram as maos,e se abraçaram. vi nitidamente as vezes que fui em sua casa, para comer, nao fazer nada, mesmo sempre tendo um propósito.ele sempre me recebia, dois beijos no rosto verdadeiros.tudo era verdadeiro. as maos se juntaram mais uma vez, alguém lhe perguntou a hora; ela tirou o celular do bolso, e respondeu, sorridente, aparentemente com educação. o mesmo bolso, o mesmo celular, o mesmo jeito perfeito e puro de ser. não me espantava que ele a amasse. lembrei de todo o ciúme, toda a lamentação, todo meu pseudo-fingimento para(com) ele.riram forte, porém não alto, de algo. eu ria, também.talvez, naquele dia, desejaria ser ela mais uma vez. uma criança, pulando, me roubou a atenção; e estranhamente me permiti uma lágrima.digo uma agora, mas não sei quantas realmente existiram.lembrei do que nem havia existido. amarelo, ou laranja. aberto, para todos nós, para o sofrimento maior.
-olá. eu te deixaria mais feliz.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
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2 comentários:
Esse sinal aí era na Conde de Bonfim? rs*
Texto sutil esse. Íntimo. Coisa de quem escreve no ritmo do palpitar do coração... ;)
feijoada gelada, é doce.
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