segunda-feira, 28 de abril de 2008

entre as linhas


Choro por quem virá; dou risada pelos encontros do destino, presto atenção nas letras de amor e dor.Não há pudor quando se divide o peito em dois; e nas noites de sábado, ouço nervoso e eufórico aquele pianinho leve que brinda sempre com meus olhos de luz. As bagagens já estão na mala, separo cd’s, levo um edredom a mais pra você se esquentar comigo no cair da tarde avermelhada. Há pouco tocou no rádio aquela banda de som forte, que te fazia correr, pular e derrubar tudo; aquela que tem o nome da criança que já quase nasce de tanto sonho dedicado. Treino em frente ao espelho o olhar sedutor, comento com os amigos que logo será possível de te ver, que nossa guerra vai terminar; o drama que aquela moça teve que criar. Já ouvi que eles me dizem que amor que é amor não é assim, aí a gente ri, por que quem não sabe da dor são eles. Subo as ladeiras com o pensamento longe de tudo que finge me derrubar quando passo embaixo de janelas coloridas da região.Já marquei da gente ficar sozinho, comprei as velas, pensei no que te dizer que ainda não foi dito. Ah, que vergonha eu tenho de te dizer que ouço aquela banda, gostei daquele livro, assisti àquele filme três vezes seguidas. Mas aí lembro daquele buquê e das palavras do cartão claro com a caligrafia forte e negra; lembro que o que você me promete você me cumpre; que já há provas suficientes pra que meu corpo se entregue ao seu. E com o corpo vai-se tudo; meus sussurros bregas, meus carinhos fracos, meu rosto que treme; toda confiança que existe no mundo. E se o mundo for o que ele representa; então diria que essa confiança vem e vai toda pra ti. Se você me deixar assim, a mercê de tantas entrelinhas; e mesmo tantas linhas! Se você me disser que não se importa, que vai-se embora, que o amor não se compara à flores de plástico; se me disser que aquele timbre não te agrada mais, que as luzes do show não iluminaram nada direito, que minha angústia vem da loucura de ser tola e leve que nem sou e esqueço de não ser... ah, se a gente morrer; eu morro, mas aí é bem provável d’eu nascer de novo com a virtude de quem já soube esquecer.
Quando os acordes combinam com as letras; mais negras que todos os lagos profundos, permaneço sentada encarando a brancura desse mundo anormal.Saio então e vou à lojinha de galeria; aonde espero te ver ouvindo de fones com atenção, tentando esquecer a vontade de acender um cigarro, bebendo água da garrafa com o plástico azul marinho; me olhando como se dissesse:

"ei, se eu to aqui é pra te conhecer."

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