dois. primeiro, segunda.para quem seguia o mesmo rumo.de outra, se via primeira e segundo. ele, mais alto, ela, de saia; e os dois sorrindo.pausadamente escrevo, sem porque; mas era isso mesmo.um dia nublado, maos dadas, conversas sobre acontecimentos de tantas vinte e quatro horas... talvez realidade para ela, agora.parados em um sinal, e me avistaram.olhos ligados, por míseros segundos, nem diria tanto.acho que todos pensávamos devagar.contato perdido, ilustre 607 entre nossas vidas, e nossas perdições. senti medo, mesmo, do que minha dor poderia me obrigar a fazer. senti medo do que poderia me trazer ao pentear meu cabelo, lavar o rosto, e voltar àquilo tudo. e vê-lo, me fez lembrar. sumiu o ônibus, na curva, e apesar de todo meu pedido para que os dois desaparecessem, eles continuavam lá, sorrindo; e aquelas maos dadas.pensei em entrar em um taxi, puro medo de quando o vermelho virasse verde...ou o verde virasse vermelho, como sempre dizemos:depende do ponto de vista. em poucos minutos,um, dois, talvez, senti todo o sofrimento que sentira durante minha existência, até aquele sinal fechado.me lembrei de suas manias, de quando saíamos. me lembrei de como perdia a esperança com o passar dos meses. me lembrei dela, que nao sabia de sua existência. me lembrei de como me perguntava:será possível?e recitava em pensamento, sempre à noite, e agora eu era um louco a perguntar, o que é que a vida vai fazer de mim.olhei pelo cantinho de meu olhar, ela beijava seu rosto.nao imaginava mesmo um beijo em qualquer outro lugar, em tal situação. talvez se visse que lhe beijava a boca, chorasse mais rápido.lembrei de seus erros de caligrafia.senti o sol em meus ombros, vi que as nuvens nao ocupavam o céu inteiro: havia uma falha, como em tudo. ela olhou para cima, quase que em um gesto de imitação. lembrei de meus arrepios, quando ele me tocava o rosto, com carinho, e um pouco de pena. ele estava como antes: lindo, sereno, calmo, eternamente feliz. como antes, inexplicavelmente assim. parecia distante como sempre pareceu, como se fosse alguém assistindo ao mundo da platéia.soltaram as maos,e se abraçaram. vi nitidamente as vezes que fui em sua casa, para comer, nao fazer nada, mesmo sempre tendo um propósito.ele sempre me recebia, dois beijos no rosto verdadeiros.tudo era verdadeiro. as maos se juntaram mais uma vez, alguém lhe perguntou a hora; ela tirou o celular do bolso, e respondeu, sorridente, aparentemente com educação. o mesmo bolso, o mesmo celular, o mesmo jeito perfeito e puro de ser. não me espantava que ele a amasse. lembrei de todo o ciúme, toda a lamentação, todo meu pseudo-fingimento para(com) ele.riram forte, porém não alto, de algo. eu ria, também.talvez, naquele dia, desejaria ser ela mais uma vez. uma criança, pulando, me roubou a atenção; e estranhamente me permiti uma lágrima.digo uma agora, mas não sei quantas realmente existiram.lembrei do que nem havia existido. amarelo, ou laranja. aberto, para todos nós, para o sofrimento maior.
-olá. eu te deixaria mais feliz.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
noname
havia música, para ouvido de alguns. de todos ali. alguns dividiam garrafas de cerveja em copos de plástico, e conversavam em pé. alguns-os mais privilegiados- sentados em rodas, em cadeiras verdes, sorriam um riso quase gargalhada, bebiam do copo de moças que lhe davam a alma, e mesmo nao sendo digno, qualquer teria vontade de se perder em qualquer uma daquelas cadeiras que de tarde tao ignoradas, compensavam com o prestígio ganhado ao cair da noite. eram pessoas, mesmo parecendo imortais. eram simples, mesmo com aquela vontade de nao deixar de olhar. nao pediam nada, eram cobertos de um brilho quase fosco.eu nao estava lá. entre blusas coloridas, cheiro de álcool, e fumaça quase gloriosa, não havia uma menina, de preto, disfarçando qualquer deslumbre. entre tanta alegria, entre tanta música e certeza, não havia mais ninguém.e através do vidro quebrado, ela apareceu. não havia vestígio algum de remorso, nenhuma insegurança escapava de dois olhos pintados,da olheira coberta por cremes e bases. alta, corpo de mulherão, rosto de tal, toda de preto: nao que parecesse que ela se importava. a roupa, escolhida com pressa. as falhas escondidas pelo caminho, com espelho de bolso, com a certeza de homens assobiando e se perdendo leve e suavemente.parecia ter saído de uma mtv americana, e nao estava nem aí. respondia a todos, sorria seu sorriso sensual,para qualquer um. sem pistas de vulgaridade: fazia o que bem entendesse, mas encantava quem quer que fosse.enquanto ela gritava, e ria alto, enquanto chamava a atencao de homens e mulheres, eu , que nao estava ali, observava sutilmente.e assim, num piscar de olhos, finalmente eu participava de algum lugar. ela me olhou.nao só me olhou, como me notou. nao so me notou, como sorriu: tao seguro e tao cheio de desejo, aquele sorrir. desejo que esbanjava até: como se dela viesse para mim. procurei rápido por alguém: uma estrela, um homem sem camisa, um menino fumando por prazer. e quatro olhos se encontraram de novo. sussurrei: rock'n'roll.ela gritou: hell yeah, girl. abaixei os olhos. ela acendeu um cigarro. contei até dez, até ela sumir por completo.
cheers darlin'
tim tim; e se fez o brinde. nao posso deixar de brindar tua bendita felicidade- essa que finges que tens e que não podes ter. na mesa , os dois serenos, ou dois que sabem muito bem o que guardam no peito!os dois que gritam e batem e sentem o ódio o desespero e o arrependimento e não mostram.ou não sentem.os dois que se sentam um em frente ao outro e trocam algumas palavras. o jantar termina logo. faz um esforço e escuta o piano, escuta o violino, escuta as cordas desafinadas.tocam para nós, um caos tranquilo, uma calma inconformada. o vinho que nao sabe beber e que está derramado, ah sim, o meu drama.a toalha manchada.os farelos de pão . nas mesas ao lado, os casais se convidam para passar a noite, os casais berram, os casais se comprometem, os casais são solit(d)ários. entre nos dois, nao há quase nada. só uma imensidão de nada.uma quase imensidão: sei lá. nao sorria.bebe do copo depois do brinde, faz um desejo, que eu faço o meu.olha nos meus olhos. me deixe cega, me deixe surda e sem poder andar.grita comigo.chora comigo. perdoa. nao me deixe embriagada com um brinde só.
desagradou-se
parou aos trinta anos do trabalho incansável, das manhãs tiradas a café, dos cigarros depois do almoço, do marido da barba mal feita. parou por alguns minutos.
começou pelo início, nada mais óbvio! as coisas se encaixavam. ela não via o erro, ninguém via o erro: o que os olhos não vêem...era bom. era que nem todo bom começo.
quando se deu conta de que a perfeição não poderia de fato existir, se deu conta do erro, e quis de qualquer maneira tirá-lo do mundo. arranhava, e gritava, e pedia, e roubava, e vestia, e riscava. era um quebra cabeça de atitudes estúpidas, porém dignas, e, por um dos lados, belíssimas. e toda dor que poderia resultar dessa raiva mal encarnada ficou presa num cantinho escuro.
então, sem dor, e sem raiva, ela descansou por um tempo. saiu do mundo, estalou os dedos, conheceu o que teve vontde de conhecer. gastou sua lista de desculpas esfarrapadas. sorriu à todo infortúnio: se amou.
e depois de se amar quis saber como era amar os outros e saiu no mundo. dessa vez fechou seus olhos a seu proprio erro; e era só amores, só loucuras, só gente nova !
e começou a ficar curiosa e um dia vasculhou tudo da vida, até achar uma caixinha preta, num cantinho meio apagado, uma coisinha miúuda e sem graça.
aí veio o que deveria ter vindo.
e ela quis misturar tudo de certo e errado, quis saber o fim , o pé, o meio, a cabeça, o começo. cansava em poucos segundos, perdia toda e qualquer confiança no mundo, e permaneceu estagnada.
voltou de seus minutos e soube que nunca houvera trilho algum.
é...desagradável.
mesa de café
Sabe o que eu me lembro?eu me lembro que desde o primeiro beijo ele me pegava forte a cintura. Não por ser homem demais, nem por luxuria: era pra segurar o tempo, pra não me deixar ir. Achei injustiça o que eu fiz, de tentar a sorte depois dele esperar por tanto tempo um casamento com véu e grinalda. Mas tinha solução? Me deixei levar pelas mãos confusas que quando se esqueciam de minha cintura voltavam a buscá-la na multidão.
E ele tinha muita ternura. Tanta ternura que não sobrou pro toque... consigo até rir se me lembrar da mão calejada caminhando incontinuamente por meu corpo; às vezes ele tremia e eu tinha vontade de rir. Mas que coisa, eu sempre tenho vontade de rir. E o beijo chegava a ser desgraça; nada dava certo e no meio do carnaval eu queria sempre mais. Sempre mais do jeito desajeitado, sempre mais do olhar surpreso na estrada vazia e escura com vista pra lagoa, vem vindo carro? Quando nao vinha eu o empurrava pra grama molhada e ele fechava os olhos e deixava transparecer o nervoso e aquela felicidade de criança. Eu tinha vontade de falar pra ele que sabia que era amor e que achava a coisa mais linda, que queria sentir igual e fazer dele a pessoa mais feliz do mundo. Chegava a doer. Doía porque eu não tinha luz pros dois, nem só pra mim, doía porque eu era incapaz de tamanha felicidade. Tinha que balançar, correr, gritar; ele não entendia que eu tinha dado toda minha vida e não era suficiente.
Na hora da foto ele vinha e descansava as duas mãos em mim. Se eu virasse e o beijasse e falasse o quanto ele faria qualquer mulher feliz, no meu mundo, o quanto a malandragem dele escondia o coração mais bonito que eu já sentira, o quanto as ações tinham ternura, cacete! Ele não iria entender, ninguém falava; eu achava tudo lindo e sabia que não dava, não sabia pertencer a ele.
A gente foi seguindo. Sem falar muita coisa e as vezes eu explodia e ele fazia cara de quem nao sabia; querendo explodir também. Quase febril de tanto amor por mim, suava frio, e eu ficava mais infeliz de estar sempre colaborando pra infelicidade da pessoa que mais amava no mundo. Um dia virei pra ele e disse (ou imaginei dizer?): decidi me dedicar a voce, como nunca me dediquei a ninguem. Pensei em falar que era a primeira vez que tinha necessidade da voz de alguem, de visitar alguem, de saber da vida sempre, dividir sorvete, ver filme calado, lembrar sozinha e chorar de tanto amor dentro de mim . Nao cabia mais e quando a gente ama é claro que a gente cuida além de querer sempre o bem estar.
A gente não dava certo e era óbvio. Era bonito demais o que tinha entre os dois e todo mundo via que era forte. Eu chorando no bar, você se declarando na praça... " quero ele se sentindo no topo do mundo mas nao sei como isso se faz! quero que seja verdadeiro mas só sei enganar."
De fato foi o máximo de emoções que já senti e sinto. Porque o clichê era tanto e a história era outra. Hoje vou falar de você pra todo mundo e passar aí na sua casa pra comer batata frita enquanto você rouba uma skol da despensa, e eu rio bem alto, abro a geladeira e comento todas as comidas. Você vai fechar e me dar um copo d'água e a gente continua sem dizer nada e se amando muito?
Ou três da manhã a gente decide viajar e eu deixo um recado no espelho. Quantos recados com seu nome foram deixados no espelho?
Te amo, te amo.
Era bom demais saber que alguem me conhecia mais do que qualquer um.
Não sei mais terminar, me dói. me dói lá dentro aonde ficam as lembranças bonitas que viram melancolia, as lembranças que por enquanto nunca mais serão renovadas; e me dói. Me dói porque era muito amor por tudo. Era beleza que arranhava as costas e rasgava a pele, um punhal às cinco da tarde na avenida central.
Eu queria dizer que era tudo muito lindo e não disse. Queria você mais perto de mim, tirar seus vícios, te deixar no céu.
E pensar que as coisas já viravam declínio naquele fim de tarde na rede, eu pensando na ternura que eu nao merecia e que nao merecia sofrer; você me olhando firme e pensando em dizer o que não falou.
superstição
Chovia, e eu morria por dentro que nesse tempo não tinha como te ver. Era como se o mar estivesse no céu e quisesse voltar pra casa ao som de orquestra! Na boca eu sentia o sal de lágrima de saudade; me liga?
Em três segundos acabei com o pedaço de torta na geladeira, andei sem saber pra onde, liguei a TV, era só aflição. Quis telefonar, dizer um olá carinhoso; que saudades d'ocê, neguinho. Mas você do seu lado podia estar com qualquer outra, entao fechei os olhos e pedi paz; minha mente ficou branca, amarela, mel, flor de liz, cheiro de bebê, sorriso de criança, borboletas, cachoeira, você. Não, você não! que com você no pensamento não tinha paz. Bom mesmo era você em mim, sussurrando em meu ouvido, você tomando café e me puxando pro seu colo. Melhor era você matéria, não idéia, que a idéia de você com outra me atormentava. E fazia tanto tempo que as suas deviam existir a granel; se não fosse assim o telefone já teria tocado; sua voz me sufocando de beleza há dez mil horas.
Então eu tremia, com a boca entreaberta; te imaginava. Cadê seus olhos, seu par de mãos, sua nuca, tudo! Idéia maldita me matava uma vez mais; me cobri, acendi um incenso e um cigarro, em vão. Cantei, liguei pra amiga, solucei e perdi a cabeça num instante, pra quê.
Joelmo miou lá da cozinha; vem cá, Joelminho! Ele vinha manhoso e mais negro que nunca : mamãe tá saudosa hoje e não te deu atençao, né ?
E nem vai te dar. Alcancei o cordão de pérolas, meu vestido quase rosa, as sandálias na bolsa e a bota no pé. Acendi outro cigarro enquanto descia as escadas, corri pela chuva pra alcançar o carro.
O trajeto foi árduo e minha cabeça era um encontro de rios. Estacionei na entrada de sua roça, fui andando como se não chovesse; não pensava e nem tentava, que pensar ia estragar tudo.
Você então me abriu a porta com um sorriso cansado, me puxou pra mais perto: que saudades d'ocê, neguinha.
Suspirei.
Em três segundos acabei com o pedaço de torta na geladeira, andei sem saber pra onde, liguei a TV, era só aflição. Quis telefonar, dizer um olá carinhoso; que saudades d'ocê, neguinho. Mas você do seu lado podia estar com qualquer outra, entao fechei os olhos e pedi paz; minha mente ficou branca, amarela, mel, flor de liz, cheiro de bebê, sorriso de criança, borboletas, cachoeira, você. Não, você não! que com você no pensamento não tinha paz. Bom mesmo era você em mim, sussurrando em meu ouvido, você tomando café e me puxando pro seu colo. Melhor era você matéria, não idéia, que a idéia de você com outra me atormentava. E fazia tanto tempo que as suas deviam existir a granel; se não fosse assim o telefone já teria tocado; sua voz me sufocando de beleza há dez mil horas.
Então eu tremia, com a boca entreaberta; te imaginava. Cadê seus olhos, seu par de mãos, sua nuca, tudo! Idéia maldita me matava uma vez mais; me cobri, acendi um incenso e um cigarro, em vão. Cantei, liguei pra amiga, solucei e perdi a cabeça num instante, pra quê.
Joelmo miou lá da cozinha; vem cá, Joelminho! Ele vinha manhoso e mais negro que nunca : mamãe tá saudosa hoje e não te deu atençao, né ?
E nem vai te dar. Alcancei o cordão de pérolas, meu vestido quase rosa, as sandálias na bolsa e a bota no pé. Acendi outro cigarro enquanto descia as escadas, corri pela chuva pra alcançar o carro.
O trajeto foi árduo e minha cabeça era um encontro de rios. Estacionei na entrada de sua roça, fui andando como se não chovesse; não pensava e nem tentava, que pensar ia estragar tudo.
Você então me abriu a porta com um sorriso cansado, me puxou pra mais perto: que saudades d'ocê, neguinha.
Suspirei.
she don't love me like you
Chega aqui pertinho, diz que não quer que eu vá, que eu fico.
Foi com afinco que a vida toda não pude me deixar levar por tais suplícios.
O que havia eu de fazer, meus deveres, meu altar; nunca houve velocidade certa nos ponteiros!
Me empenhava quando se tratava das calúnias; passava eu a ignorar. Os ladrilhos não eram de diamantes, minha rua nem sequer me pertencia: os olhos devotos me tinham atravessada nas gargantas.Profundidade que dava pé, os joelhos no milho e a quina acinzentada me emendavam enquanto minhas próprias intenções falhavam em anular o ego do céu de boca.
Não havia chuva nem abrigo, e todo fragor me completava o peito de sustos pálidos. Ora bolas, era nessa época que o sorriso se abria inconsciente enquanto o brado ressonante mostrava-se afeiçoado; e por dentro era como a indiferença da mata: vai-te congelando os ossos até que peça, com instancia e humildade, que te deixem fazer parte de alguma bem-aventurança.
Outrora ,sentira tanto requinte, que não me dei por satisfeito. E seguia meu passado de mãos-dadas com a memória... enquanto era perdida a inocência, perdida.
Pois bem, tenho repleto conhecimento da desilusão que desencadeiam minhas palavras; e mesmo assim ouso implorar ... Quando remoto de minha presença; suspira, pede, chora, vai! Finge que assim não há pé nem cabeça, ou que há cabeça entre pés ; se arruína nas ruínas desse amor que nos mantém- ou apenas se mantém, a si mesmo e só.
Foi com afinco que a vida toda não pude me deixar levar por tais suplícios.
O que havia eu de fazer, meus deveres, meu altar; nunca houve velocidade certa nos ponteiros!
Me empenhava quando se tratava das calúnias; passava eu a ignorar. Os ladrilhos não eram de diamantes, minha rua nem sequer me pertencia: os olhos devotos me tinham atravessada nas gargantas.Profundidade que dava pé, os joelhos no milho e a quina acinzentada me emendavam enquanto minhas próprias intenções falhavam em anular o ego do céu de boca.
Não havia chuva nem abrigo, e todo fragor me completava o peito de sustos pálidos. Ora bolas, era nessa época que o sorriso se abria inconsciente enquanto o brado ressonante mostrava-se afeiçoado; e por dentro era como a indiferença da mata: vai-te congelando os ossos até que peça, com instancia e humildade, que te deixem fazer parte de alguma bem-aventurança.
Outrora ,sentira tanto requinte, que não me dei por satisfeito. E seguia meu passado de mãos-dadas com a memória... enquanto era perdida a inocência, perdida.
Pois bem, tenho repleto conhecimento da desilusão que desencadeiam minhas palavras; e mesmo assim ouso implorar ... Quando remoto de minha presença; suspira, pede, chora, vai! Finge que assim não há pé nem cabeça, ou que há cabeça entre pés ; se arruína nas ruínas desse amor que nos mantém- ou apenas se mantém, a si mesmo e só.
entre as linhas
Choro por quem virá; dou risada pelos encontros do destino, presto atenção nas letras de amor e dor.Não há pudor quando se divide o peito em dois; e nas noites de sábado, ouço nervoso e eufórico aquele pianinho leve que brinda sempre com meus olhos de luz. As bagagens já estão na mala, separo cd’s, levo um edredom a mais pra você se esquentar comigo no cair da tarde avermelhada. Há pouco tocou no rádio aquela banda de som forte, que te fazia correr, pular e derrubar tudo; aquela que tem o nome da criança que já quase nasce de tanto sonho dedicado. Treino em frente ao espelho o olhar sedutor, comento com os amigos que logo será possível de te ver, que nossa guerra vai terminar; o drama que aquela moça teve que criar. Já ouvi que eles me dizem que amor que é amor não é assim, aí a gente ri, por que quem não sabe da dor são eles. Subo as ladeiras com o pensamento longe de tudo que finge me derrubar quando passo embaixo de janelas coloridas da região.Já marquei da gente ficar sozinho, comprei as velas, pensei no que te dizer que ainda não foi dito. Ah, que vergonha eu tenho de te dizer que ouço aquela banda, gostei daquele livro, assisti àquele filme três vezes seguidas. Mas aí lembro daquele buquê e das palavras do cartão claro com a caligrafia forte e negra; lembro que o que você me promete você me cumpre; que já há provas suficientes pra que meu corpo se entregue ao seu. E com o corpo vai-se tudo; meus sussurros bregas, meus carinhos fracos, meu rosto que treme; toda confiança que existe no mundo. E se o mundo for o que ele representa; então diria que essa confiança vem e vai toda pra ti.
Quando os acordes combinam com as letras; mais negras que todos os lagos profundos, permaneço sentada encarando a brancura desse mundo anormal.Saio então e vou à lojinha de galeria; aonde espero te ver ouvindo de fones com atenção, tentando esquecer a vontade de acender um cigarro, bebendo água da garrafa com o plástico azul marinho; me olhando como se dissesse:
"ei, se eu to aqui é pra te conhecer."
a falta que ficou
Caramba, como agente se falava, como era bonito. Se você não respondia eu inventava algo bonito, e quando nem isso funcionava eu confessava alguma coisa. Acho que no fundo voce não se importava, mas sabia exatamente como demonstrar o contrario, e aí a gente ia levando, ninguém era obrigado a fazer nada, e minha companhia mesmo que fútil, te trazia paz. Você ao meu lado era diferente, eu pintava meu cabelo e tinha medo das suas palavras, mas no começo eu só sabia que a gente podia ser bem parecido e que era tipo uma coisa de família, uma ternura, um cuidado, uma preocupação. Sei bem dessa admiração e agonia para com todas as moças, sinto e sentia a mesma coisa, só que ninguém nunca tinha sentido por mim, antes. Talvez nem quisesse, te afastava, queria ser forte, queria parecer diferente- superior- na sua vida. Mas cada qualidade sua era uma a menos pra mim e chegou o dia em que era difícil ficar de pé ao seu lado; pedi ajuda, e foi quando toda confusão começou. Era tudo insuficiente e vontade de desistir, e aí eu confundia com bem querer, quando na verdade eu queria mesmo era estar longe de você. E se tivesse conseguido me manter afastada, talvez hoje em dia a memória fosse tranqüila; e não essa raiva misturada com desejo de mudar tudo e de nem ter te conhecido. Sei lá por que eu achava que me fazer mal me fazia bem, no fundo eu queria mesmo era estar aos seus pés. Não haveria dança naquela noite se não fosse pra chamar sua atenção com meu desprezo, não teria escrito nenhum texto se não fosse para impressionar, não teria cantado se não fosse pro seu violão me acompanhar.Foi virando uma coisa meio parecida, eu era sua cópia, mas uma cópia barata; vulgar, e tudo isso só por que eu queria sua aprovação. E tinha tanta gente que via minha dedicação alucinada aos seus ensinamentos, tinha gente que reclamava que eu sumia, que nem era mais eu, que era apenas dor. Aí eu te via e sorria o maior sorriso que eu conseguisse, me sentia incapaz o dia todo, sentia raiva de toda as suas opiniões; mas concordava, ou mesmo tentava inventar uma opinião melhor. Era tudo questão de você me admirar como eu te admirava, de você ficar nervoso perto de mim também. E pensar que no começo eu assumia; você sabia, ouvia e sentia bem minha fraqueza e minha inveja de tudo que tinha se passado na sua vida. Então os nossos olhos se cruzavam e dava pra ver sua compaixão, sua necessidade de me deixar feliz, a felicidade de estar perto de algo tão frágil. Espantei mesmo tudo isso, e agora só consigo me lembrar do dia que desci a rua pensando que, de todas as coisas bonitas e fortes que tinham se passado, de todas as desculpas pra estar perto de você, de todos os presentes, não havia sobrado nem ternura. Você nunca iria chorar por mim, e levo então a fraca lembrança das noites desesperadas e das certezas esquecidas, e o aprendizado;
Ah. Esse maldito aprendizado.
Ah. Esse maldito aprendizado.
pra não ser clichê
Quando dei por mim tava tudo ali: os pensamentos, as coisas boas, as surpresas; tudo mesmo.Engraçado que eu também gostava de pontos e de vírgulas, das máquinas de escrever do meu pai, ou apenas daquela, verde, amarela, cinza: era uma mistura de cores completamente incolor. Me sentava e apertava com cuidado as teclas, vendo os metais subindo, e descendo, me encantava por meus próprios dedos, pelas letras; e não havia história nem estória alguma no papel.A beleza era puramente exterior, e sempre foi, pra mim. Só que eram meus olhos e apenas eles que viam tanta coisa, e meus olhos vinham da alma e a alma é o espírito e o espírito não deveria ser o nosso interior? Vai ver que minha beleza exterior só existia de fato por causa do que tinha dentro. E quando as coisas foram sumindo, os finais de semana, a reza antes de dormir, os pensamentos naquela caixinha laranja de papelão, as brincadeiras, a pipoca e tudo mais, sumiu também a máquina sem cor. Talvez eu cresça e nunca mais me fascine tanto por qualquer outra coisa; talvez pelas livrarias; é, não sei.
Essa saudade é lembrança boa, com uma pitada de dor. Não chega nem a ser isso; é agonia, uma palavra na ponta da língua; uma música que não sai da cabeça. Pior que hoje em dia não vejo muita beleza no que tem alegria, talvez nem acredite mais nessa coisa de sem lenço e sem documento; pior e talvez até melhor que meus olhos hoje se fascinam por tudo que chora, e pede, e precisa. As coisas da vida ensinam o belo e te tornam amarga, ao mesmo tempo. E ao mesmo tempo é que sinto que tudo que me aconteceu me deixa bem e bem maior, e me tiram também tudo de dentro que me influenciava nas máquinas. Será que o desvanecer dos casos me trazem força ou desespero?
Pois bem, meus olhos que tanto viam; hoje em dia nem se fecham por mais de alguns segundos; e essa melancolia, esse melancólico sorriso verdadeiro.Nesse caso há sempre algum par , outro contra; o conforto e a vontade de nunca acordar. Tinha coisas que eu não suportava perder, coisas e pessoas – não vai você também, agora que não há mais ninguém, agora que a chuva não faz o mesmo barulho na janela e que o choro não vê mais por quem existir. Quando me aproximei do que queria lembrar, quis ficar triste, quis pedir à Deus alguma coisa, quis sofrer igual à todo mundo. Até quis escrever tormentas naquela coisa sem cor; e aí sabe o que notei? Que nem ela existia mais, e que não havia tais tormentas.
È por isso que quando sento-me à mesa pra escrever do que acho mais belo, acabo sempre óbvia, acabo sempre nesse pessimismo otimista- é o que a vida me deixou.
E não é pra ter pena, não, não é nada disso que estão pensando: é uma calma abatida, uma decepção confusa, uma certeza do tal bem maior, mas assim, bem lá no inconsciente.
Havia uma casa atravessando a rua, não era habitada no início, mas um dia ela apareceu toda nova. Nunca me passou pela cabeça imaginar as pessoas de lá; eram duas famílias, uma que reformou seu lado, a outra que deixou como era antes. E ficou tudo bonito com a coisa antiga e a nova, com as cores abatidas e com as fortes, e no final, aquela casa era eu, mesmo sem fazer muito sentido.E eu gostava da casa, justamente por ela ser dividida pela metade, por parecer duas, mas desde o início fora só uma; foram as pessoas e coisas que mudaram aparência e tudo mais.
E se eu lembrar agora que nada me irritava quando a gente subia a ladeira; nem mesmo as decepções de criança, sabe? Um dia chamei duas meninas pra me visitar e elas simplesmente não foram, e não avisaram, e acho que fiquei na janela até anoitecer. E no final nem liguei, nem reclamei, senti um aperto no coração e uma vontade de ensinar as coisas boas pro mundo por um segundinho só, e aí desci da janela correndo; e sabia bem o que me importava. Talvez eu me deslumbrasse com pouco; com a besteira, com o carinho, com a presença. Aquilo tudo fazia parte de mim por que ali eu era levada a sério, eu, uma criança que nem sabia escolher minhas próprias amizades.
E tudo era realmente feliz, perfeito, bonito e significativo naquela época: não sei mesmo por que a gente tem que aprender perdendo o que importa. É, é, no final é tudo um grande plano, tudo tem um motivo, e eu sei disso, hoje. Mas minha certeza é tão duvidosa quanto minha tristeza; meu sorriso é verdadeiro. Um verdadeiro pedido, um verdadeiro nada; e ainda assim, é meu tudo. E mais uma vez há gente que entende, e se alguém me perguntar a tal receita, nem sei o que responder: meu peito é cheio de tristeza de não saber como sentir. As coisas vem e vão, parece mágica, e realmente não sei mais o que considero bom e ruim, essencial, importante. Nem sei mais como procurar satisfação, antes de tudo sumir eu sabia exatamente o endereço da felicidade.
Fui uma criança realmente cheia de luz, é tão clichê isso, mas a gente imagina tanta coisa e tanta importância. Desde que pousei meus dedos nessas teclas prometi à mim mesma que não tornaria a escrever sobre as mesmas circunstâncias, havia idéias desconexas e uma vontade imensa de fazer tudo bonito. Tristeza não paga dívidas, mas também nem sei o que paga. Meu nada ocasional , minhas paixões, minhas saudades, minha alegrias- e olha que nem acredito nelas.
Gente, parece mais uma história de amargo fim, e na verdade é só beleza; viu como sei bem o que me interessa? È sim nessas coisas que mexem com a gente que há poesia, sabe. Quando comecei era tudo sobre esperança e ser feliz e gostar das coisas pequenas, e agora essa solidão sem fim.
Quer saber?
Fim.
Essa saudade é lembrança boa, com uma pitada de dor. Não chega nem a ser isso; é agonia, uma palavra na ponta da língua; uma música que não sai da cabeça. Pior que hoje em dia não vejo muita beleza no que tem alegria, talvez nem acredite mais nessa coisa de sem lenço e sem documento; pior e talvez até melhor que meus olhos hoje se fascinam por tudo que chora, e pede, e precisa. As coisas da vida ensinam o belo e te tornam amarga, ao mesmo tempo. E ao mesmo tempo é que sinto que tudo que me aconteceu me deixa bem e bem maior, e me tiram também tudo de dentro que me influenciava nas máquinas. Será que o desvanecer dos casos me trazem força ou desespero?
Pois bem, meus olhos que tanto viam; hoje em dia nem se fecham por mais de alguns segundos; e essa melancolia, esse melancólico sorriso verdadeiro.Nesse caso há sempre algum par , outro contra; o conforto e a vontade de nunca acordar. Tinha coisas que eu não suportava perder, coisas e pessoas – não vai você também, agora que não há mais ninguém, agora que a chuva não faz o mesmo barulho na janela e que o choro não vê mais por quem existir. Quando me aproximei do que queria lembrar, quis ficar triste, quis pedir à Deus alguma coisa, quis sofrer igual à todo mundo. Até quis escrever tormentas naquela coisa sem cor; e aí sabe o que notei? Que nem ela existia mais, e que não havia tais tormentas.
È por isso que quando sento-me à mesa pra escrever do que acho mais belo, acabo sempre óbvia, acabo sempre nesse pessimismo otimista- é o que a vida me deixou.
E não é pra ter pena, não, não é nada disso que estão pensando: é uma calma abatida, uma decepção confusa, uma certeza do tal bem maior, mas assim, bem lá no inconsciente.
Havia uma casa atravessando a rua, não era habitada no início, mas um dia ela apareceu toda nova. Nunca me passou pela cabeça imaginar as pessoas de lá; eram duas famílias, uma que reformou seu lado, a outra que deixou como era antes. E ficou tudo bonito com a coisa antiga e a nova, com as cores abatidas e com as fortes, e no final, aquela casa era eu, mesmo sem fazer muito sentido.E eu gostava da casa, justamente por ela ser dividida pela metade, por parecer duas, mas desde o início fora só uma; foram as pessoas e coisas que mudaram aparência e tudo mais.
E se eu lembrar agora que nada me irritava quando a gente subia a ladeira; nem mesmo as decepções de criança, sabe? Um dia chamei duas meninas pra me visitar e elas simplesmente não foram, e não avisaram, e acho que fiquei na janela até anoitecer. E no final nem liguei, nem reclamei, senti um aperto no coração e uma vontade de ensinar as coisas boas pro mundo por um segundinho só, e aí desci da janela correndo; e sabia bem o que me importava. Talvez eu me deslumbrasse com pouco; com a besteira, com o carinho, com a presença. Aquilo tudo fazia parte de mim por que ali eu era levada a sério, eu, uma criança que nem sabia escolher minhas próprias amizades.
E tudo era realmente feliz, perfeito, bonito e significativo naquela época: não sei mesmo por que a gente tem que aprender perdendo o que importa. É, é, no final é tudo um grande plano, tudo tem um motivo, e eu sei disso, hoje. Mas minha certeza é tão duvidosa quanto minha tristeza; meu sorriso é verdadeiro. Um verdadeiro pedido, um verdadeiro nada; e ainda assim, é meu tudo. E mais uma vez há gente que entende, e se alguém me perguntar a tal receita, nem sei o que responder: meu peito é cheio de tristeza de não saber como sentir. As coisas vem e vão, parece mágica, e realmente não sei mais o que considero bom e ruim, essencial, importante. Nem sei mais como procurar satisfação, antes de tudo sumir eu sabia exatamente o endereço da felicidade.
Fui uma criança realmente cheia de luz, é tão clichê isso, mas a gente imagina tanta coisa e tanta importância. Desde que pousei meus dedos nessas teclas prometi à mim mesma que não tornaria a escrever sobre as mesmas circunstâncias, havia idéias desconexas e uma vontade imensa de fazer tudo bonito. Tristeza não paga dívidas, mas também nem sei o que paga. Meu nada ocasional , minhas paixões, minhas saudades, minha alegrias- e olha que nem acredito nelas.
Gente, parece mais uma história de amargo fim, e na verdade é só beleza; viu como sei bem o que me interessa? È sim nessas coisas que mexem com a gente que há poesia, sabe. Quando comecei era tudo sobre esperança e ser feliz e gostar das coisas pequenas, e agora essa solidão sem fim.
Quer saber?
Fim.
Assinar:
Postagens (Atom)